Moradores de comunidades do Baixo Madeira recordam os desafios enfrentados por anos sem água potável
Para enfrentar um problema que fez parte da rotina das comunidades ribeirinhas por décadas, a Prefeitura de Porto Velho implantou sistemas de tratamento de água. Essa situação se agravava especialmente nos períodos de seca e cheia do rio Madeira, dificultando o acesso à água potável.
A nova tecnologia permite a captação da água do rio Madeira e seu tratamento para o consumo humano, ampliando o abastecimento das famílias que residem em ilhas e comunidades da região amazônica.
Com a estiagem levando o município a declarar situação de emergência, a Defesa Civil Municipal tem prestado atenção especial a essas comunidades, monitorando as condições de abastecimento e desenvolvendo ações de assistência à população.
Valdomiro Lopes, de 64 anos, que nasceu e cresceu na comunidade ribeirinha de Firmeza, compartilhou que nunca teve a oportunidade de consumir água tratada dessa forma.
“Isso aqui para nós foi um grande prazer, nós não tínhamos água limpa para beber, sempre bebíamos a água direto do rio, todo mundo ficou satisfeito, uma água dessa limpa”, declarou Valdomiro Lopes.
Para ele, a implementação do sistema é uma mudança significativa em uma rotina que exigia o uso da água do Madeira diretamente. Com a nova estrutura de tratamento instalada na própria comunidade, essa realidade está mudando.
Na Ilha de Assunção, um pequeno vilarejo no Baixo Madeira, a reportagem conversou com Najazeno Nunes de Castro, que vive na comunidade há mais de 40 anos. Ele relatou que, antes da instalação da estação, os moradores precisavam tratar a água em casa.
“Aqui em Ilha de Assunção somos nove famílias que nunca tiveram a oportunidade de ter uma água limpa dessa maneira, antes a gente tratava a água em casa”, contou Najazeno Castro.
A experiência de Najazeno evidencia como o abastecimento dependia dos cuidados das famílias. Com a nova instalação, a comunidade agora tem uma alternativa de tratamento da água para o consumo diário.
Rosilene Borges, que mora na comunidade de Ilha Nova, recordou que, durante muitos anos, os moradores tinham que retirar a água do rio e tratá-la de forma caseira, sem garantias de que estava própria para o consumo.
“Está tudo funcionando certinho, antes era mais dificultoso para tratar água, agora a gente recebe a água tratada pela estação direto para a garrafa de beber”, disse Rosilene Borges.
Esse relato de Rosilene ressalta a importância de oferecer alternativas de abastecimento às comunidades ribeirinhas, principalmente em períodos em que as condições do rio dificultam o acesso à água potável.
“Água é vida, por isso que essa atenção dada às comunidades é uma questão de humanidade. Durante muitos anos os ribeirinhos porto-velhenses sofreram sem a oportunidade de terem água saudável para consumir e agora a realidade é outra, é mais respeito e dignidade para quem faz parte da construção da nossa cidade”, destacou Léo Moraes.
A implementação das estações representa uma opção ao abastecimento emergencial por meio de embarcações, possibilitando que as comunidades realizem o tratamento da água localmente. O funcionamento dos equipamentos também exige acompanhamento técnico para assegurar a qualidade da água fornecida.
Porto Velho ainda enfrenta os efeitos da estiagem em um cenário climático afetado pelo fenômeno El Niño, que é caracterizado pelo aquecimento das águas do oceano Pacífico Equatorial, podendo intensificar a seca e mudar os padrões de precipitação em várias regiões do Brasil.
As estações de tratamento fazem parte das ações municipais para enfrentar a estiagem. Nas comunidades de Firmeza e Ilha de Assunção, os equipamentos instalados têm capacidade para produzir cerca de 5 mil litros de água tratada por dia, cada um, ampliando as opções de abastecimento para as famílias ribeirinhas.
Com informações do Capital Rondônia. Fonte: Texto: João Paulo Prudêncio · Fotos: Erisson Soares/Isadora Estolano · Secretaria Municipal de Comunicação (Secom).
